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NO RODA VIVA

Wagner Moura ataca Bolsonaro e acusa governo de censura

Ator e diretor falou sobre o lançamento de “Marighella”, que chega aos cinemas nesta quinta-feira (04)

Danilo ReenlsoberRepórter do EM OFF

O ator Wagner Moura, que dirige o filme “Marighella”, foi o entrevistado desta segunda-feira (01) do Roda Viva, programa de entrevistas da TV Cultura, e não poupou críticas ao governo federal e ao presidente Jair Bolsonaro. O artista falou dos ataques que a produção, que chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (04), sofreu e do difícil período para o audiovisual nacional.

Durante a entrevista, o protagonista de “Tropa de Elite” falou sobre os problemas para que o filme finalmente estreasse e as ameaças que recebeu durante as filmagens. “Marighella” está finalizado desde 2019, mas teve problemas para chegar até o público. Moura, no entanto, ressaltou que entregar o longa-metragem no atual momento político é ainda mais representativo.

Eu não tenho medo dessa gente. Eu acho que fazer um filme sobre Marighella, entregar um filme sobre Marighella no Brasil de hoje, faz parte de um enfrentamento do qual eu tenho muito orgulho de participar“, disse Wagner Moura. “E acho que precisamos fazer esse enfrentamento contra o fascismo. Os ataques foram todos“, ressaltou o artista.

Em seguida, ele tratou sobre a questão da Ancine. “A questão com a Ancine foi absolutamente clara pra mim de censura. Fomos contemplados e não recebemos o dinheiro porque os pedidos foram negados pela Ancine num momento em que Bolsonaro falava abertamente em filtragem. E não só Marighella, vários outros produtos [tiveram o mesmo problema]“, apontou.

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Em julho, uma gestora do setor de análise técnica e seleção de projetos da Ancine encaminhou o projeto de lançamento comercial de “Marighela” para arquivamento, com a seguinte justificativa: “Procedemos ao cancelamento do projeto acima referenciado e encerramento do respectivo processo devido à DESISTÊNCIA DA PROPONENTE em prosseguir com o projeto na Chamada Pública”. A 02 Cinema, produtora do filme, negou a informação.

Período histórico

O filme acompanha a história de Carlos Marighella, que em 1969, lutou contra a violenta ditadura militar instaurada no Brasil. Cercado por guerrilheiros 30 anos mais novos e dispostos a reagir, o líder revolucionário escolheu a ação. Marighella era político, escritor e guerrilheiro contra o regime militar no País. Para os críticos, no entanto, era apontado como terrorista.

Em sua fala ontem no Roda Viva, no entanto, Wagner Moura desabafou sobre o que ele considera de fato terrorismo e elencou os desmandos do atual governo de Jair Bolsonaro. Segundo o ator e diretor, mais de 600 mil mortes devido à pandemia de Covid-19, 19 milhões de brasileiros passando fome e um ministro da Economia com dinheiro investido em offshore é que é o verdadeiro terrorismo.

“Marighella” é protagonizado pelo ator e cantor Seu Jorge, mas ele não foi o primeiro artista a ser chamado para dar vida ao personagem histórico brasileiro. De acordo com Wagner Moura, o cantor Mano Brown foi a sua primeira escolha. Ele até chegou a participar de alguns ensaios, mas acabou deixando o projeto devido a dificuldades de conciliar a agenda de gravação com os shows dos Racionais

Foi então que Seu Jorge entrou no projeto como protagonista. Moura, no entanto, foi muito criticado por opositores do filme por mudar o tom da pele do personagem. “Não pensava na questão do colorismo, quando ’empreteço’ Marighella, e reafirmo a negritude e ando na contramão do cinema brasileiro, acho que acerto [no filme]”, não se intimidou o diretor.

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